Quedas matam cada vez mais idosos PDF Imprimir E-mail
Seg, 26 de Julho de 2010 21:56

Cair não é mero acidente quando se trata de um idoso. As mortes na terceira idade por complicações ligadas a quedas aumentaram quatro vezes no Estado entre 2000 e 2008, de acordo com um balanço da Secretaria de Estado da Saúde divulgado neste sexta-feira, 23. Nesse período, o índice de mortalidade pulou de 7,6 mil óbitos a cada 100 mil idosos para 28,4 mil.

O geriatra Anderson Della Torre, coordenador clínico do Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia, ligado à Secretaria, afirma que, em uma primeira análise dos números, o crescimento foi “assustadorâ€. Ele ressalta, contudo, que é preciso levar em conta o envelhecimento da população do País: quanto mais idoso o paciente, maior a incidência das quedas.

Entre 1998 e 2008, por exemplo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida média do brasileiro aumentou mais de três anos, passando de 69 e sete meses para 72 anos e dez meses. “Nos últimos anos cresceu o número de pacientes acima de 85 anos, que é um grupo com muitas complicações em caso de quedasâ€, constata Della Torre. O risco de tombos para pacientes acima dessa faixa etária, diz ele, é de 51%.

De acordo com o geriatra, as principais complicações associadas aos pacientes que sofreram quedas são as doenças infecciosas, desencadeadas pela imobilidade. “Os idosos são vítimas principalmente de infecções pulmonares e urináriasâ€, diz. Tromboses e escaras (feridas) também são problemas ligados às quedas.

Diretor de Ortopedia do Hospital do Servidor Público Estadual, Roberto Dantas Queiroz também relata que, diariamente, é mais frequente na unidade a presença de pacientes cada vez mais idosos, acima dos 90 anos. “Temos até pacientes de 100 anos. A expectativa de vida aumentou muitoâ€, constata. Vem das ocorrências de quedas registradas no hospital outro dado que merece atenção: 70% delas ocorrem dentro da própria casa do idoso. Por isso, o hospital lançou, no ano passado, uma cartilha com dicas de prevenção doméstica – com tiragem inicial de 2 mil exemplares, hoje já tem 70 mil unidades.

São vários os descuidos que podem provocar acidentes. Entre eles, estão a falta de corrimão no banheiro, tapetes e pisos escorregadios (veja acima). A fisioterapeuta Antonieta Midea explica que, muitas vezes, a própria família do idoso resiste em fazer as adaptações necessárias na casa para a segurança. “Se for o caso de apenas tirar os tapetes, isso é feito. Mas, quando envolve colocar um corrimão, por exemplo, sempre aparece a questão financeiraâ€, observa a fisioterapeuta.

Na visão de Antonieta, também há uma resistência do próprio idoso em fazer as alterações de segurança. “Normalmente, quem procura o tratamento é a família e o idoso não quer colaborarâ€. Alterações neurológicas, da visão, do equilíbrio e problemas osteomusculares estão entre os principais fatores que tornam os idosos mais suscetíveis aos tombos, explica Della Torre. Segundo ele, é fundamental que as famílias relatem aos médicos os casos de queda mesmo que não sejam aparentemente graves. “Assim como a febre é um sintoma em criança, a queda para o idoso é sinal que algo não está bemâ€, afirma.

De acordo com o geriatra, não são apenas as sequelas físicas que marcam um tombo. Ele chama a atenção para as síndromes pós-queda, que afetam o lado emocional do idoso, sobretudo a confiança. Com medo, passam a sair menos de casa, reduzindo a vida social e aumentando a incidência de quadros depressivos. “Isso acaba sobrecarregando também os cuidadoresâ€, conclui o médico.

Fonte: Jornal da Tarde- 24/07/2010 - Mariana Lenharo e Marici Capitelli -