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| Campinas é eleita modelo de inclusão |
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| Qua, 07 de Julho de 2010 18:17 |
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Governo federal escolhe seis cidades no País para projetos de acessibilidade para deficientes. Campinas está entre os seis municípios do Brasil que integram o projeto Cidade Acessível é Direitos Humanos, da Secretaria de Direitos Humanos, do governo federal, para divulgar e incentivar ações que facilitem o acesso dos cerca de 25 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência — 14,5% da população do País. Na prática, a proposta é oferecer privilégio em linhas de créditos para novas iniciativas inclusivas e reconhecer as já realizadas. A cidade foi escolhida porque, segundo a Subsecretaria Nacional de Proteção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, já desenvolve iniciativas relevantes no setor. Em troca, os prefeitos assinaram termos de compromisso, em que os municípios se comprometem a trabalhar para atingir 100% de acessibilidade. Além de Campinas — único representante de São Paulo —, fazem parte do projeto Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Joinville (SC), Rio de Janeiro (RJ) e Uberlândia (MG). Entre as iniciativas de Campinas que destacaram a cidade estão o elevador adaptado no Paço Municipal, a construção de 18 novas estações de transferências para usuários do transporte público, a construção de 2 mil rampas de acesso e a ampliação de programas como o Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI), que disponibiliza transporte exclusivo para deficiente, que atualmente conta com 1,2 mil usuários, e da frota de veículos adaptados. A Empresa de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) diz que 280 dos 1,2 mil veículos do sistema de transporte coletivo são adaptados. Em 2005, eram apenas 21 veículos acessíveis. “O grande desafio neste setor é corrigir o passado, uma vez que, em prédios antigos, ainda encontramos muitas dificuldades”, reconhece Darci da Silva, secretária municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão Social de Campinas. O projeto Cidade Acessível vem sendo formulado desde abril, quando o governo federal entrou em contato com 20 municípios para verificar o interesse e a disponibilidade política de atuação. Como critérios de avaliação foram elencados acessibilidade e eliminação de barreiras, acesso à saúde e à reabilitação, acesso à educação especial na perspectiva inclusiva, transporte público urbano acessível, trabalho e emprego. De acordo com a secretária, a cidade espera a conclusão de um estudo sobre a acessibilidade, organizado pela Prefeitura, para definir projetos futuros. “Temos a Comissão Permanente de Acessibilidade através da qual o cidadão pode sugerir iniciativas e relatar dificuldades.” Modelo “Participar do projeto é algo bom porque pode atrair investimentos, mas Campinas está muito longe de ser uma cidade acessível. Ainda há muito para se fazer”, avalia Roseli Bianco, presidente do Conselho Municipal de Direitos da Pessoa com Deficiência. “Essa é uma parceria que nos obriga a continuar buscando uma cidade plenamente acessível e que, ao mesmo tempo, reconhece ações já realizadas como as estações de transferências, o serviço do Pai e até mesmo o prédio da nova rodoviária. Mesmo assim, sabemos que ainda há muita coisa para fazer. Estamos só no começo”, reconhece Darci da Silva. Tetraplégico há 15 anos após sofrer um acidente, Vinícius Garcia, de 34 anos, endossa o discurso de que Campinas, a exemplo das demais cidades do Brasil, ainda “engatinha” quando o assunto é acessibilidade. “Se formos comparar com os Estados Unidos então podemos dizer que a acessibilidade no Brasil não existe”, diz ele, que participa do organização não-governamental Centro de Vida Independente de Campinas. “O projeto do governo gerou controvérsias porque as pessoas podem confundir seu significado, já que ainda falta muito. Porém, o lado positivo é discutir a questão de forma mais ampla. Acessibilidade não é apenas garantir mobilidade. Em Campinas, por exemplo, ainda não temos um central de interpretes para ajudar pessoas que sejam surdas-mudas nas repartições públicas e nem cardápios em braille nos restaurantes. Acessibilidade é garantir direitos iguais”, diz. Cadeirantes aguardam doação desde 2008 Município tem que melhorar para ser vista como exemplo Hoje, a realidade acusa a falta de rampas de acesso nas ruas, a ausência de semáforos com alerta sonoros e mesmo uma insuficiente da frota de veículos adaptados. E mesmo nas boas iniciativas, há obstáculos para serem superados. Para conseguir o benefício do Programa de Acessibilidade Inclusiva (Pai), por exemplo, é preciso acordar as 6h da manhã. “Caso contrário, não consigo o agendamento, uma vez que a procura é maior do que a oferta”, diz. “Também é complicado esperar o ônibus adaptado. Da faculdade até a minha casa são apenas cinco quilômetros, mas espero e demoro duas horas no trajeto. As vezes, a vaga para cadeirante está ocupada e tenho que esperar ainda mais”, diz ele. Diante da Torre do Castelo, conhecido ponto turístico da cidade reformada e reinaugura no último dia 15 de maio, ele lamenta. “Mas eu aqui só posso olhar”, diz. Cadeirante, o consultor de informática Paulo Eduardo Santos, de 33 anos, afirma que “antes de ser uma questão política, essa é uma questão de conscientização da necessidade do outro. Todos precisamos participar dessa luta”, acrescenta. (AG/AAN) PONTO DE VISTA ROSELI BIANCO Longe de ser lugar acessível PONTO DE VISTA 2 JORGE MARCIO P. DE ANDRADE Questão é de direito humano Fonte: Correio Popular de Campinas (07/07/2010)
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