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| OMS reconhece pós-pólio como doença |
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| Seg, 14 de Junho de 2010 21:45 |
Desordem neurológica atinge quase 70% das pessoas que tiveram poliomielite na infância e se manifesta na meia-idade. Com reconhecimento oficial, portadores passam a ter direitos como aposentadoria precoce e garantia de cobertura pelos planos de saúdeGraças à iniciativa de pesquisadores brasileiros, a SÃndrome Pós-Poliomielite (SPP) - desordem neurológica que acomete, na meia-idade, quase 70% das pessoas que tiveram pólio na infância - foi incluÃda na última revisão do Código Internacional de Doenças (CID 10). Com isso, a SPP deixa de ser vista como uma sequela tardia da pólio, o que garante aos portadores direitos como aposentadoria precoce e garantia de cobertura pelos planos de saúde. Um dos primeiros a estudar a sÃndrome no Brasil foi o neurologista da Unifesp Acary Bulle Oliveira. Quando trabalhava com para-atletas, nos anos 1990, percebeu que aqueles que haviam sido vÃtimas de pólio, no auge da carreira, começavam a ter queda de rendimento sem explicação aparente. "Na literatura quase não havia informação sobre a doença nessa fase", conta. O desconhecimento da sÃndrome pelos profissionais de saúde faz com que muitos portadores não sejam diagnosticados ou tenham de aguardar até seis anos após o surgimento dos sintomas para saber a causa. Os primeiros sinais, que aparecem pelo menos 15 anos após a fase aguda da pólio, são cansaço excessivo e nova perda de funções musculares. Também são comuns graves problemas respiratórios, dificuldade para deglutir e para controlar os esfÃncteres, distúrbios de sono e hipersensibilidade ao frio. Tanto pacientes que chegaram a sofrer de paralisia infantil quanto aqueles em que a pólio passou quase despercebida (mais informações nesta pág.) podem ser afetados. "Os neurônios motores que sobrevivem à poliomielite se adaptam para assumir o papel daqueles que morreram na fase aguda da doença. Essa sobrecarga, com o tempo, faz com que eles entrem em colapso", diz Oliveira. O ideal para esses pacientes, portanto, é diminuir o ritmo de vida e evitar movimentos repetitivos. Ironicamente, a recomendação médica para os sobreviventes da pólio, no passado, era a prática de exercÃcios. Conquista. Na década passada, muitos ainda questionavam se a SPP poderia ser considerada uma nova enfermidade. Em 2003, o fisioterapeuta Abrahão Quadros, impressionado com a pesquisa de Oliveira, decidiu montar um ambulatório multidisciplinar na Unifesp para atender aos portadores. No ano seguinte, teve inÃcio a batalha pela inclusão da pós-pólio no CID. Pesquisadores e pacientes, reunidos na Associação Brasileira da SÃndrome Pós-Poliomielite (Abraspp), conseguiram sensibilizar autoridades da saúde e o representante brasileiro no comitê que regulamenta o CID, Rui Laurenti, para encaminhar à OMS uma proposta de reconhecimento da doença. A aprovação veio no ano passado e passou a vigorar em 2010, beneficiando pacientes no mundo todo. Luiz Baggio, um dos fundadores da Abraspp e portador da sÃndrome, explica que a principal mudança é que a doença não poderá ser mais ignorada por peritos do INSS ao analisar pedidos de aposentadoria precoce. "Também garante que os planos de saúde cubram o tratamento e a colocação de órteses e próteses e ajuda a organizar as polÃticas públicas de saúde."  Fonte:  O Estado de S.Paulo - Vida (12/06/10) |



Desordem neurológica atinge quase 70% das pessoas que tiveram poliomielite na infância e se manifesta na meia-idade. Com reconhecimento oficial, portadores passam a ter direitos como aposentadoria precoce e garantia de cobertura pelos planos de saúde