Mara Gabrilli dá entrevista para o Jornal The Times PDF Imprimir E-mail
Sex, 11 de Junho de 2010 22:32

Para criar perfil de Lula, jornal inglês The Times busca opinião da vereadora. Confira a reportagem nas versões origanal e traduzida

Ele é um dos líderes mundiais mais populares, entre pobres e ricos. Ele trouxe respeito internacional de volta a seu país e atualmente se envolveu na tarefa de pacificar o Oriente Médio e resolver a crise internacional  acerca do programa nuclear iraniano.

Não estamos falando de Barack Obama, laureado no ano passado com o Prêmio Nobel, mas de outro pretendente ao prêmio, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que, na semana passada, afirmou ter acordado com Tehran o envio de urânio levemente enriquecido para a Turquia em troca de materiais combustíveis para um reator de pesquisa.

" As pessoas dizem que o Brasil não deveria se meter na questão da paz no Oriente Médio" , disse o Presidente Lula, rebatendo as críticas feitas a sua intervenção. " Mas, quem disse que os Estados Unidos é que deveriam?" Este é um slogan que Lula gostaria que valesse para qualquer crise internacional, conforme ele se projeta como um novo Chefe de Estado global e um mediador nas mais complexas e problemáticas regiões do mundo.

O acordo entre Lula e o Irã pode ter sucumbido em menos de 24 horas com a nova resolução, proposta pelos Estados Unidos, que prevê a aplicação de sanções a Tehran. Mas, mesmo com a chegada do fim de seu último mandato, não há sinais de que Lula desista de  fazer do Brasil um "global player" - ou contestar a já estabelecida ordem da supremacia Ocidental.

Na foto oficial da reunião do G20 em Setembro, Lula é visto ao lado direito do Presidente Obama, enquanto o Presidente Chinês, Hu Jintao, está a sua esquerda. Na fileira de trás esá Gordon Brown. Uma linha simbólica na nova ordem mundial - pelo menos é o que Lula desejaria ver.

" Meu chapa, eu amo esse cara", exclamou o Presidente Obama, cumprimentando o presidente Lula com as mão no encontro passado do G20 em Londres. " O político mais popular do mundo"E ele pode ser mesmo. Oito anos após chegar ao poder, Lula ainda possui 76% de aprovação - é o presidente mais popular do Brasil até hoje.

Brasileiros mais abastados podem até caçoar de seu Português simples e de suas maneiras bruscas. Mas os probres amam ele: seu programa de governo, Bolsa-Família - ou fundo de suporte de renda - ajudou a tirar mais de 30 milhões de pessoas da pobreza. Depois de anos de estabilidade financeira e crescimento econômico, 50% dos brasileiros pertencem agora à classe média.

A auto-confiança brasileira atingiu seu auge em Setembro, quanto sua fala emocionada e improvisada, ajudou a garantir a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Agora Lula está tomando a dianteira para assegurar, antes que seu mandato acabe, uma vaga permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

Ainda não se sabe se as novas conquistas brasileiras sobreviverão a era Lula. Muitos destacam que seu sucesso é devido a seu carisma pessoal.  "Ele tem facilidade para lidar com pessoas, ele fez isso a vida toda, e é isso
que o transforma num negociador tão bom", afirma um jornalista que já conversou com o presidente diversas vezes. "Ele diz aquilo que você quer ouvir".

Nem todo mundo, talvez. Na visita de Gordon Brown para o Brasil, ano passado, Lula se focou no seu histórico econômico, declarando " A crise foi causada pelo comportamento irracional de pessoas brancos de olhos azuis". Foi um comentário parecido com o de outro grande líder latino americano, Hugo Chavez, cuja amizade com o presidente Lula tem sido considerada um dos pontos negativos em sua reputação internacional.

Lula gosta de ofender alvos que são membros das estruturas tradicionais de poder que ele visa desmontar. Ele é menos confiante, todavia, quando as críticas são voltadas a ele.

Em 2004, quando o correspondente do New York Times, Larry Rother, escreveu sobre o preocupante hábito de beber do presidente, Lula tentou expulsá-lo do país. Em 2009, ele foi criticado por apoiar o ex-presidente José Sarney, através de uma série de acusações de corrupção em troca de apoio a sua coalizão governamental. "No Brasil, Cristo teria que se aliar a Judas", disse Lula.

Mara Gabrilli, uma política de oposição que já negociou com o presidente Lula disse " Ele é muito carimástico, mas não é confiável. Ele está em lua de mel consigo próprio"

Versão Original 

He is one of the world's most popular leaders, rising from rags to riches.  He has brought lost respect back to his country and is currently going  about the task of forging Middle East peace and resolving the crisis over  Iran's nuclear programme.

Not Barack Obama, the winner of last year's Nobel Prize, but another pretender to the trophy, Brazil's flamboyant President, Luiz Inácio Lula da Silva, who last week claimed to have achieved an agreement with Tehran 
to send low-enriched uranium to Turkey in return for fuel rods for a  research reactor.

"People say that it was none of Brazil's business to be an intermediary  with Iran," Mr Lula said, hitting out at criticism of his intervention.  "But who said it was a matter for the United States?" That is a slogan Mr  Lula would be happy to apply to any international crisis as he attempts to  forge his new role as global statesman and mediator in the world's most  intractable troublespots.

Mr Lula's Iranian deal may have fallen apart within 24 hours with news of  an American-brokered sanctions deal. But as the months tick down to the  end of his last term, there is no sign of let-up in his attempt to make  Brazil a global player - or to challenge the established order of Western  supremacy.

In the official group photo for the G20 meeting in September, Mr Lula was  on Obama's right hand, with Chinese President Hu Jintao on his left. In  the row behind was Gordon Brown. A symbolic line-up of the new world 
order - at least as Mr Lula would like to see it.

"My man, love this guy," President Obama gushed, clasping Mr Lula by the hand at the earlier G20 summit in London. "The most popular politician on  Earth." And he may well be. Eight years after coming to power, Mr Lula still  enjoys a 76 per cent approval rating - Brazil's most popular President yet.

Upper-class Brazilians may sneer at his rough Portuguese and brusque  manners. Poor Brazilians adore him: his Government's Bolsa Família - or  income support fund - has helped take 30 million out of poverty. After  years of steady financial management and economic growth, 50 per cent of  Brazilians are now middle class.

Brazil's self confidence reached a high point in September, when Mr Lula's impassioned, off-the-cuff speech helped clinch the 2016 Olympics for Rio de Janeiro. It hasn't dipped since. Now Mr Lula is leading the drive to  win Brazil a place on the UN Security Council - all before his term expires in October.

Whether Brazil's new fortunes can outlive Mr Lula remains to be seen. Many put its successes down to the President's personal charm. "He's at ease  meeting people, he's been doing it all his life, and that's what makes him  such a good negotiator," says one journalist who has met the leader a number of times. "He tells you what you want to hear."

Not everybody, perhaps. On Gordon Brown's visit to Brazil last year, Mr Lula took aim at his economic record, declaring: "The crisis was caused by  the irrational behaviour of white folks with blue eyes." It was a comment  reminscent of the other big Latin American player, Hugo Chávez, whose  friendship is one of the darker spots on Mr Lula's international  reputation.

Mr Lula is happy to offend when the targets are members of the traditional power structures he seeks to dismantle. He is less sanguine, though, when the barbs are aimed at him.
In 2004, when the New York Times correspondent Larry Rohter wrote about concern over his drinking habits, Mr Lula tried to have him expelled. In  2009 he was lambasted for supporting the former President José Sarney through a blizzard of devastating corruption allegations to hold on to his  support for his coalition government. "In Brazil, Christ would have to ally himself with Judas," Mr Lula said afterwards.

Mara Gabrilli, an opposition politician who has had dealings with Mr Lula,  said: "He is a very charismatic person, but with me he was not  trustworthy. He is on honeymoon with himself."

Fonte: The Times
Tradução: Felipe Taufik Daud

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