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| Quase 23 mil brasileiros esperam na fila da córnea |
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| Qui, 13 de Maio de 2010 19:19 |
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Meta dos médicos é zerar, em 8 meses, a lista dos que aguardam o transplante Conselhos de Oftalmologia e Medicina firmam parceria para aumentar total de cirurgias; maior obstáculo é a conservação dos órgãos Um brasileiro espera três anos, em média, por um transplante de córnea. Ao menos 22.700 pessoas aguardam hoje nessa fila, segundo dados do primeiro semestre de 2009. Agora, o CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), em parceria com a câmara técnica do Conselho Federal de Medicina, concluiu documento em que estipula a meta de zerar em oito meses a fila do transplante. Para alcançar a meta, os conselhos dependem do aval do Sistema Nacional de Transplantes, vinculado ao Ministério da Saúde, e da liberação de R$ 2,3 milhões. A verba seria usada na criação de bancos de olhos e na capacitação. "A nossa ideia é aumentar em 30% o total de cirurgias, em até quatro meses. Depois disso, zerar a fila até o final do ano. É um desafio que queremos colocar em prática o mais rápido possÃvel", diz Paulo Augusto de Arruda Melo, presidente do CBO. Gargalos Para chegar a esses números, o CBO fez um raio-X da situação do Brasil e identificou os principais gargalos. O maior é armazenar as córneas para dar tempo de fazer a cirurgia. "A sociedade é generosa, não faltam doadores. O processo emperra no fluxograma: fazer a conservação e o transplante em si", diz José Fernando Maia Vinagre, corregedor do CFM e presidente da câmara técnica. A dificuldade de armazenamento das córneas faz com que muitas sejam jogadas fora. "A maioria doada pode ser aproveitada. O problema é que as córneas não resistem ao tempo de localizar o receptor e mobilizar a equipe para que o transplante aconteça", afirma Melo. "Uma das nossas ações é estimular a formação de novas equipes especializadas em captar essas córneas. Vamos oferecer cursos de capacitação. Só estamos esperando o "ok" do ministério", afirma Melo. Outro gargalo é a falta de bancos de olhos no paÃs: até o meio do ano passado, o Brasil possuÃa 30 bancos -sete deles no Estado de São Paulo. Estados como Amapá e Tocantins nem sequer possuÃam bancos especializados. Nesses casos, pacientes se inscrevem em outros Estados e não há como saber o tamanho real da fila. Lista unificada A proposta dos dois conselhos é corrigir essas falhas, como fez o Estado de São Paulo, que conseguiu zerar a espera. Mas São Paulo levou nove anos para reorganizar o sistema. Até maio de 2000, o governo não controlava o tamanho da lista ou o total de cirurgias. A lista não era unificada. Cada paciente se inscrevia por conta própria nos serviços -o que causava duplicidade, segundo Luiz Augusto Pereira, coordenador da Central de Transplantes do Estado. Com o gerenciamento, as regiões com maior carência e demanda foram mapeadas. Hoje, São Paulo "exporta" 25% das córneas excedentes para outros Estados. O tempo de espera para cirurgia é de até 15 dias. Número de cirurgias caiu, diz Ministério A queda de 3% no número de transplantes de córnea realizados em 2009 com relação a 2008 foi o suficiente para acender o sinal amarelo do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde. Segundo Rosana Nothen, coordenadora-geral do órgão, essa diminuição não se justifica, especialmente porque o ministério paga todo o processo (da abordagem da famÃlia, passando pela captação ao transplante em si), e a córnea, teoricamente, é mais fácil de aproveitar. "Ela pode ser captada mesmo que o coração do doador esteja parado [outros órgãos exigem que o coração ainda bata] e, por ser um tecido não vascularizado, poderia ser preservada por até 15 dias", diz. Nothen diz que o ministério reconhece a existência de falhas no processo, especialmente nos centros transplantadores, por isso decidiu fazer uma parceria com os conselhos de oftalmologia e de medicina. "Estamos avaliando as propostas para tentar aumentar as cirurgias e diminuir essa fila. Algumas medidas vão surgir em breve, mas não sabemos exatamente quais serão", afirma a coordenadora. (FB)  Fonte: Folha de S.Paulo - 13/05/2010 |


